A telemedicina no Brasil e o protagonismo da telecardiologia na saúde
15 de junho de 2024 Por TMEBR'
A telemedicina no Brasil não é mais uma tendência, é algo já consolidado, que simboliza um grande passo para a saúde em geral. Ela promove benefícios às instituições médicas, aos profissionais e, é claro, também aos pacientes.
Diversas especialidades podem usufruir desse recurso tecnológico, sendo uma delas a cardiologia, com o que chamamos de “telecardiologia”. Esse tipo de atendimento se destaca como um grande protagonista no contexto da telessaúde.
Afinal, a saúde cardiovascular merece uma atenção especial, pois as doenças que afetam esse sistema, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca são as principais causas de óbito no Brasil e no mundo. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mais de 1,1 mil pessoas perdem a vida, por dia, em razão desses problemas em nosso país.
Tendo em vista essa informação tão alarmante, abordaremos a importância e o protagonismo da telemedicina, especialmente da telecardiologia, na saúde brasileira. Continue lendo e confira.
Panorama da telecardiologia: os entraves da telemedicina no Brasil
De início, a justificativa para o alto número de adoecimentos e mortes relativos ao coração no Brasil está na logística. Isso porque o acesso ao eletrocardiograma e às consultas cardiológicas é diariamente dificultado por questões geográficas, seja pela distância dos centros de saúde ou pela precariedade dos serviços da região.
Além disso, precisamos nos lembrar que enfrentamos a pandemia de covid-19, que trouxe consequências drásticas para saúde do brasileiro. Por exemplo, maior dificuldade de acessar consultas e exames, atrasos nos check-ups de rotina e as sequelas do próprio vírus.
Pesquisas realizadas pela Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intensiva (SBHCI) mostraram que, na primeira semana de abril de 2020, logo no início da crise sanitária, os atendimentos a pacientes de infarto caíram em torno de 70%.
Ainda em 2020, o mês de março foi marcado por uma queda de 50% nas angioplastias do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), quando comparado ao mesmo mês em 2019, segundo dados do próprio Incor-FMUSP.
Dados como esses não significam que a saúde cardíaca do brasileiro melhorou ao mesmo tempo em que a nova doença respiratória surgiu. Pelo contrário, os danos continuaram, mas não receberam os cuidados adequados.
O que é a telecardiologia e qual sua relação com a telemedicina no Brasil?
Com tantas estimativas preocupantes sobre a saúde do coração em nosso país, a telecardiologia tem se mostrado ainda mais essencial, já que atua na prevenção e nos diagnósticos precoces, levando atendimento imediato e de qualidade.
Essa “submodalidade” é uma extensão da telemedicina mais voltada para o sistema cardiovascular, oferecendo desde o monitoramento das condições do paciente, até a emissão de laudos digitais.
Trata-se de uma revolução da medicina que sustenta toda a gestão inteligente de hospitais, clínicas e consultórios, tendo sua regulamentação emitida pelos órgãos nacionais de saúde.
Como funciona a assistência cardiológica à distância?
A telecardiologia vai além de uma consulta realizada por videochamada. Diversas tecnologias podem ser aplicadas para oferecer a assistência personalizada que o paciente necessita.
Um exemplo é o uso de eletrocardiógrafos digitais, em que os dados e informações importantes são armazenados para, em seguida, serem enviados aos especialistas responsáveis pela interpretação de exames, devolvendo os laudos em tempo real.
Existem ainda sistemas que usam da Inteligência Artificial (IA) para fazer um cruzamento de dados já armazenados e auxiliar na identificação assertiva de anomalias, corroborando com um resultado ainda mais certeiro.
Assim, a telemedicina cardiológica possibilita a entrega de laudos online, segunda opinião de especialistas, avaliação de testes e videoconferências para discussão e entendimento de casos a partir de qualquer dispositivo conectado à Internet.
O protagonismo da TME na telemedicina no Brasil
Agora que você já sabe o que é a telecardiologia, é hora de conhecer a TME – Telemedicina Cardiológica. Somos uma referência da área no Brasil, com a emissão de laudos à distância de exames cardíacos.
Nossa equipe de especialistas interpreta resultados de MAPA, Holter e eletrocardiograma, por meio do aplicativo Proteus, que permite o envio simplificado dos exames pelas instituições de saúde.
Os resultados ficam prontos em até duas horas, com a possibilidade de solicitar urgência. Os clientes ganham ainda a oportunidade de pagar apenas por laudos gerados. Dessa forma, as instituições conseguem economizar, pois também não precisam manter profissionais apenas para a realização dos laudos, pois já possuem uma central à distância.
Nosso time está à disposição para treinar e explicar como deve ser feito o encaminhamento dos materiais, além de solucionar qualquer dúvida que possa surgir.
Pré-requisitos para a prática de telecardiologia
Previamente, existem condições para a prestação de um serviço completo e qualificado de telecardiologia. São elas:
- profissionais capacitados: assim como as equipes que prestam serviços telecardiológicos são altamente capacitadas, como a TME, é necessário que o contratante também disponha dessa qualidade, devendo treinar um técnico de enfermagem para a condução dos exames, seguindo as exigências do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da SBC;
- registros digitais: recurso principal para a mediação entre exames e laudos. Os equipamentos digitais podem ser adquiridos ao contratar a TME – Telemedicina Cardiológica sob forma de locação ou comodato;
- ambiente de compartilhamento: para tornar mais rápido e viável todo o processo, a TME utiliza o aplicativo Proteus como a base de segurança, agilidade e comunicação com o cliente.
Patologias mais diagnosticadas
Dentre as inúmeras doenças que envolvem o aparelho cardiovascular, as mais recorrentes de diagnóstico dentro da telecardiologia são:
- insuficiência cardíaca congestiva (ICC);
- hipertensão arterial sistêmica (HAS);
- arritmias.
Como você pode perceber, são condições graves e com risco de deixar sequelas. Por isso, precisam de acompanhamento periódico. Felizmente, a telemedicina torna esse cuidado mais prático.
Com a telecardiologia, o paciente pode receber o diagnóstico de forma mais rápida, o que contribui com os tratamentos
O que a telecardiologia pode oferecer dentro da telemedicina no Brasil?
Em se tratando de exames, a telecardiologia é uma ferramenta mais que completa. Confira a seguir a lista dos principais procedimentos:
Eletrocardiograma
Analisando e registrando a atividade do miocárdio com o auxílio de eletrodos, o ECG em repouso é um exame rápido, indolor e extremamente necessário para monitorar a saúde do coração.
É o teste de rotina mais solicitado, tendo como norte a avaliação de condições como o ritmo dos batimentos cardíacos.
Holter
O Holter funciona como uma extensão do ECG, a fim de analisar condições não aparentes no outro exame.
Durante o procedimento, o paciente é submetido a medições regulares por meio de eletrodos no tórax, no decorrer de 24 horas, com o intuito de estabelecer um padrão e identificar anormalidades do ritmo cardíaco.
Mapa
Monitoração Ambulatorial da Pressão Arterial em 24 horas (MAPA) possibilita uma avaliação completa das variações na pressão arterial, no período de um dia inteiro. O paciente permanece com um manguito no braço para a averiguação regular.
Ecocardiograma
O ecocardiograma é similar a um ultrassom, com o objetivo de verificar em tempo real as estruturas do coração, como tamanho do órgão, forma, válvulas e fluxo de sangue. É utilizado para diagnosticar insuficiência cardíaca, anomalias estruturais e doenças valvares, entre outras condições.
Tomografia cardiovascular
A partir de uma ínfima quantidade de radiação ionizante para a formação de imagens, esse exame coleta registros do coração sob diversas perspectivas, possibilitando a observação da anatomia dos tecidos do órgão.
Existe ainda a angiotomografia de coronárias que, como o próprio nome revela, visa analisar especificamente a saúde desses vasos sanguíneos tão importantes.
Ressonância cardiovascular
Tendo em vista a análise interna do coração, a ressonância cardiovascular tem uma altíssima resolução possibilitada pelo uso de um campo magnético. Ainda que seja mais dispendioso, por não usar raio-X, ele pode ser realizado em grávidas e crianças.
Teste Ergométrico
Também conhecido como ECG de esforço, o teste ergométrico coleta informações sobre batimentos cardíacos enquanto o paciente caminha ou corre em uma esteira. Com isso, se tornou imprescindível para a detecção de arritmias e anormalidades só observadas quando é exigido do paciente um esforço maior do músculo cardíaco.
Risco cirúrgico
Trata-se de uma combinação de avaliações. Para se medir o risco cirúrgico, são analisados a anamnese, o exame físico e outros testes, como o ECG. Isso tudo para oferecer segurança ao paciente, checando as chances do aparelho cardiovascular apresentar falhas durante cirurgias.
Cintilografia miocárdica
Com pequenas doses de radiação, a cintilografia miocárdica verifica se o fluxo de sangue ao coração está adequado. Por isso, costuma ser solicitado quando há suspeita de isquemia, como após casos de infarto.
Outros serviços da telecardiologia
Os cuidados promovidos pela telemedicina no Brasil, especificamente pela telecardiologia, se estendem ainda mais. Veja a seguir:
Monitoramento remoto
Essa ação possibilita que cardiopatas possam ser monitorados no próprio sofá de casa ou no centro de saúde local, diminuindo as visitas aos hospitais e oferecendo maior conforto e comodidade ao paciente e ao profissional da saúde.
As informações dos dispositivos cardíacos, como marcapasso e holter, são enviados à equipe de telecardiologia, que avalia em tempo real a condição da pessoa assistida. Tal possibilidade fez com que essa ferramenta fosse amplamente utilizada em UTIs móveis, já que os dados são inseridos no prontuário eletrônico, agilizando ainda mais os atendimentos de emergência.
Consulta na telemedicina no Brasil
A teleconsulta pode envolver tanto o médico e o paciente, quanto a própria comunidade médica, servindo como mediadora para a segunda opinião. Tal processo é essencial para a formulação de diagnósticos precisos e de tratamentos adequados, além de oferecer o acesso a especialistas em regiões remotas.
A telemedicina também propicia maior comodidade aos pacientes
Capacitação
No que tange à capacitação, a telecardiologia visa atualizar e preparar profissionais da saúde que se encontram longe dos grandes centros. Valendo-se de videoconferências, aulas e palestras, a teleducação surge como forma de preencher as lacunas de conhecimentos oriundas das dificuldades geográficas.
Benefícios e impactos da telecardiologia
Após a exposição do que a telecardiologia pode oferecer, resumimos aqui os seus impactos positivos:
- laudos online em tempo real;
- redução de gastos com deslocamento;
- preservação da vida do paciente;
- redução de visitas e encaminhamentos desnecessários aos hospitais;
- segunda opinião e discussão de casos (enriquecimento pela troca de informações);
- paciente passa a ser o protagonista pela sua saúde e coloca em prática as mudanças de hábitos;
- atendimento completo e em tempo integral;
- acesso à especialidade em áreas remotas.
Telecardiologia e emergência
Como já mencionado anteriormente, essa modalidade está cada vez mais inserida nos atendimentos de emergência por agilizar e dar maior segurança aos procedimentos remotos que necessitam de diagnóstico imediato.
Além disso, é extremamente importante por disponibilizar o médico cardiologista em tempo integral e a qualquer momento quando é solicitado. Dessa forma, revoluciona a democratização e a humanização dentro dos serviços de saúde, uma vez que proporciona um atendimento de qualidade em pequenas ou precárias instituições, diminuindo o deslocamento tanto do médico quanto do paciente.
Em meio à emergência, ter o auxílio da telecardiologia reduz a sobrecarga de afazeres e aumenta a segurança e confiabilidade dos laudos, que são emitidos em tempo real.
Consequentemente, aumenta a eficiência de tratamentos, reduz custos e diminui a ocupação de leitos.
Programa de Telecardiologia
Em abril de 2020, a SBC lançou o Programa de Telecardiologia, com o intuito de esclarecer dúvidas de pacientes cardiopatas, assim como facilitar o acesso ao cardiologista pela telemedicina no Brasil, agindo de forma preventiva e de antecipação do atendimento.
Vale ressaltar que grande parte dos cardiopatas somente procuram ajuda em última instância, colaborando para os grandes índices de mortalidades já citados. O advento do Programa de Telecardiologia é um marco para a saúde brasileira.
Além das teleconsultas, a plataforma também possibilitou o telediagnóstico, a teleorientação e a emissão de receitas médicas com o aparato dos certificados digitais.
A SBC foi também uma das pioneiras ao abordar a telemedicina no Brasil e, ainda em 2019, antes mesmo da pandemia, lançou a Diretriz de Telemedicina Aplicada à Cardiologia, visando esclarecer as bases científicas e as aplicações pertinentes à especialidade.
Com o documento, a segurança e a eficácia da telecardiologia ficaram mais evidentes, deixando claro que os princípios da ferramenta são a autonomia do paciente e a proteção das suas informações e dados referentes à saúde.
Regulamentação da telemedicina no Brasil: Lei nº 13.989
Sancionada em abril de 2020, a Lei nº 13.989 reconheceu e autorizou o uso da telemedicina em tempos de pandemia, embora a ferramenta exista desde o início dos anos 90. Com isso, o CFM também regulamentou a assistência à distância pela Resolução nº 2.314/2022.
Mesmo com ressalvas, a legislação representa um grande passo para a evolução brasileira, já que, com o reconhecimento da telemedicina, o acesso à saúde tornou-se muito mais democrático, seguro e de extrema qualidade. Afinal, é impossível dissociar a tecnologia da medicina, ainda mais com tantos recursos e demandas por saúde.
Gostou de ver como a telemedicina no Brasil funciona?
Quando se usa a tecnologia em prol da saúde, o que vemos é um resultado transformador: a medicina transcende sua essência curativa e assume nova postura de prevenção, diminuindo custos, elaborando diagnósticos e tratamentos mais resolutivos, além de possibilitar procedimentos menos invasivos.
Podemos perceber tudo isso com o uso da telemedicina no Brasil, especialmente a telecardiologia. Você quer se aprofundar ainda mais no assunto? Venha conferir nossas publicações no Instagram e Facebook.